O lavrador de café
Candido Portinari
geração de chumbo
corpos de lama
oprimidos em cada célula
fios de faca afiados
chibata de sete nós
democracia do medo
olhar latifundiário
fortuito sabiá-do-campo
terra vermelha sovada
lavradores sem teto
útero fecundo à semente
estrelas da eternidade
aos olhos do camponês
tudo parece alegoria
pés carcomidos
cicatrizes que sangram
morrer é nada
o nada persiste.

