25 de dezembro de 2018

*Ode a Julieta

*Saudade imensa, mãe querida!!!
Onde quer que você esteja,
receba o meu beijo,
meu carinho,
minha poesia.



Mãe,
nesse leito de hospital.
vejo os dias, horas passarem
angustiada, meu pranto desaba
-o que fez adoecer?

olhos arregalados, cheio de medos,
ao teu lado te amparo
coração dispara e de fato,
tenho a impressão que me diz algo.

te enlaço e te abraço
beijo tuas mãos cansadas
respiração acelerada
te sinto ofegante.

Mãe,
faça de conta
que tudo começou agora
me beija, me abraça
me dá o teu peito

sou criança carente, insegura
desde quando nasci
faço as pazes com o passado
a cada batida do teu coração

momentos felizes revivo
eternos para sempre
numa estrela neste imenso universo
onde meus olhos mesmo querendo
já não  mais te alcançarão.


yaradarin





29 de maio de 2018

Hemorrágico



Verdes bandeiras
teatro de guerra
som de mil clamores

segue multidão 
ansiedade agravada
filhos e pais separados

jovem jogado ao chão
imóvel, desfalecido
-acorda, já é hora!

inclina o pescoço 
uma veia pulsa 
vermelho de sangue

o futuro grita justiça
desde então -
jamais se calaram.


yaradarin

27 de abril de 2018

Rãs I



arrastos que a erosão destrói
lapso de tempo em púrpura
suculentas bromélias 
derramam o mel extirpado
sapos em céu de estrelas
aleatórias sementes de cabala
mastigadas em saibo de sal
anestesiam linguas
onde magnólias vadiam
predadores abatem girinos
quartzo de azul citrino
fincam além das artérias
fluídos gélidos de sangue
enquanto serpentes desvestidas
escondem-se em turvas águas
rãs soluçam

yaradarin

10 de março de 2018

DAMAS ENTRE VERDES


Minha gratidão 'a Editora Senhoras Obscenas, em especial a essas pessoinhas lindas e queridas -Sandra Regina e Graziela Brun. Convidada por elas a participar da primeira Edição "DAMAS ENTRE VERDES' e que honrosamente aceitei de imediato.
Um sentimento de carinho, de apreço estar entre mais de 70 escritoras e poetisas de todo Brasil.

E com a poesia Abril- dedico aos amores de minha vida:

Rodrigo, Luis Felipe, Gabriella(filhos) 
e Victoria (minha neta amada)









Abril

Rasgo oceanos 
meu corpo desperto

ao nascer do dia
contempla as feridas

na pele esquálida
quase sem vida

onde correntes separam
teu rosto e o meu

são turbulências 'a vista
pelas marés de abril

fragmentos de nossa história

tão pouco tão profundo
abandono do que faz falta

da medula aos poros
somos viajantes eternos

meu corpo no teu corpo
adormecido, fenecendo
no azul da tua boca.

yaradarin

8 de janeiro de 2018

Elevação




Elevação

silêncio onde brota a semente
um sonho transpõe o gozo
contorno irregular da face
palidez refletida no espelho
navego em hora sem tempo
cabelos revoltos, batom nude
desvendo curvas no ventre
traço linhas cruzadas no ar
selva epilética, corpo quente
algo derrete em mim
o quadro na parede
abisma-me,
o que faz uma mulher
dentro de uma pintura?

yaradarin

1 de janeiro de 2018

Conchas Azuis


diante do mar 
areia sobrepõe o infinito.

fragmentos de rochas

esperam, ondas jazem.

sou o azul das conchas

a canção dos quatro ventos.

afogo-me em memórias

de lábios beijados

enquanto deuses marinhos

adornam a mansa serpente.

yaradarin


O Artesanato me Salvou da Pandemia

  O Artesanato me Salvou da Pandemia Um confronto com a realidade. Mal sabia que, depois de ter saído de um problema sério de saúde, eu enfr...