2 de agosto de 2019

Iara - O Cantar da Sereia


A Iara é uma lenda do folclore brasileiro. 
Ela é uma linda sereia que vive no rio Amazonas; sua pele é morena, possui cabelos longos, negros e olhos castanhos.
A Iara costuma tomar banho nos rios e cantar uma melodia irresistível. 
Dessa forma os homens que a veem não conseguem resistir aos seus desejos e pulam dentro do rio. 
Ela tem o poder de cegar quem a admira e levar para o fundo do rio qualquer homem com o qual ela desejar se casar.
Os índios acreditam tanto no poder da Iara que evitam passar perto dos lagos ao entardecer.


Ouça o cantarolar da sereia
que vive o imaginário
poesia que embala a alma
em águas traiçoeiras.

deusa das águas
fascínio do desconhecido
notas perfumadas da flora
correnteza que segue.

murmúrio tênue que embala
e hipnotiza o vento que sopra
fugaz memória no espelho
lábios vermelhos


noturno e subterrâneo
como serpente a espera da presa
mergulha fundo no rio
indo ao encontro do amor e do prazer.

yaradarin

Para minha amada neta, Victoria

 


10 de fevereiro de 2019

Yemanjá Poema-Oriki



Salve, Yemanjá. 
Odôyá! 
Sereia da magia,
rainha do mar. 

Trouxe velas, rosas, 
pentes, perfumes
para enfeitar 
O Teu altar.

Peço Tua proteção, 
consola meu inquieto 
coração.

Sou filha de Nanã, 
mulher de Oxalá,
junto de meu Pai. 

Sou da linha 
de Oxum, 
Yorubá!

Por onde passo
levo a beleza 
e o perfume da flor. 

Tenho Oxóssi,
caçador e lutador. 
no meu coração 

Destemida, 
tenho a força 
dos Orixás. 

Sou terra, 
sou água, 
me vês? 

Se quiseres 
cativar Yemanjá
traga um pouco 
da alegria 
e do cantar, 
de dentro de você!


yaradarin


7 de fevereiro de 2019

Do abraço que transforma, transmuta, transcenda

Abraça-me, quero sentir o fascínio que exerce teu corpo junto ao meu,
incorpora-me dentro de ti para que eu sinta o sentido dos sentidos da vida. 
aperta-me com teus braços de menino no infinito anseio em tecer nossas mais loucas fantasias. 
enlaça-me que morrer em ti é beber a água dos deuses no mais intenso amor do universo. 
seduza-me para que possamos expressar todos os nossos devaneios e dançá-los até mais não poder.
 
Prenda-me no abraço feito poesia na cumplicidade que desperte lágrimas de alegria e acalme o coração. 

Um só abraço que eternize no tempo e transcenda todo o espaço estelar.
abraçar é mais do que o amor, mais que a paixão...

Abraça-me com toda sua força e que os sonhos alimentem nossas almas, enquanto a paleta de cores da vida estejam pintando nosso universo.

abraça-me.
uma vez mais.






10 de janeiro de 2019

Quem não te quer, não te merece...


Quem não te quer, não te merece

Gostar de si mesmo deve ser um hábito, é o pilar que nos sustenta e cuida, nos protege e, é claro, nos dá um empurrão para que cresçamos mais e mais. Eu estava na pré adolescência e a vida me parecia maravilhosa. Tudo que eu vivi, ouvi, toquei e senti naquele tempo perdura até hoje em minha memória - e com uma intensidade poética indestrutível. Cada manhã era um alegre convite para viver minha vida com simplicidade e, diria eu, pudor da própria natureza.

Eu cursava a última série ginasial no Colégio Matter Dei e minha inocência já dava alguns sinais de sensualidade quando os meus olhares cruzavam ávidos os olhares dos garotos. 

Já estávamos no segundo semestre, quando João Antonio entrou em nossa classe trajando uma calça jeans e uma camisa branca com caimento impecável. Senti meu coração palpitar e meus olhos brilharem de encantamento. Quem era aquele jovem bonito, alto, cabelos claros, de uma pele fina quase acetinada?

Aos poucos fomos nos conhecendo e não demorou para ficarmos mais amigos e começar um namoro. Tínhamos a mesma idade, as mesmas alegrias e estávamos sempre juntos fazendo nossos trabalhos escolares e as matinées do cinema à tarde era o nosso prazer. 

E assim continuamos até a nossa formatura de conclusão ginasial, com direito a missa na Igreja São José pela manhã, e entrega de diplomas à noite no Salão de Baile da cidade. Lembro-me bem do vestido azul-piscina que eu vestia naquela noite, todo adamascado com fios dourados. Um luxo!! Sonhando, dançamos felizes durante a noite que se prolongou até a madrugada. 
E eu, naquele momento, já sentia algo mais profundo por João Antonio.

Mas aquele namorico escolar não duraria muito tempo e assim naturalmente terminou nosso relacionamento fugaz.

A adolescência voou embora, assim como João Antonio, batendo asas tão rapidamente. Só me dei conta da minha transformação de menina em mulher quando já estava morando em São Paulo. Minha vida tomara outro rumo. Foi um choque quando percebi de verdade que tudo havia mudado, e para sempre.

João Antonio já morava em São Paulo quando numa tarde, para minha surpresa, ligou-me dizendo-se saudoso e que gostaria muito de visitar-me.

- Claro, ficarei muito feliz - respondi.

Sentados na varanda de casa relembramos fatos do passado, falamos de nós, dos nossos ideais, dos projetos futuros, e rimos evidentemente, relembrando o nosso finito namoro. Ele tinha um sonho, viajar por toda a Europa, em busca de novas aventuras.

No entanto, algo nele estava diferente - sim, ele já não era a mesma pessoa. No seu modo de andar, de falar, com roupas estranhas e trejeitos com as mãos, segurando delicadamente o cigarro que fumava. Após muita prosa, despediu-se. Nunca mais o vi, nem soube dele. 

Muito tempo depois, eu havia acordado uma certa noite para escapar de um "sonho" já conhecido. Esse sonho não me deixava dormir todas as vezes que nele aparecia o João Antonio. Senti uma vontade imensa em revê-lo. Por onde andaria, depois de tantos e tantos anos? Estaria vivo? Se minha vida andara várias vezes de ponta cabeça, como estaria a vida dele hoje?

Às vezes, nossa vida nos mostra generosa quando sonhamos com algo e passado algum tempo isso venha a se tornar realidade. Bem, e foi assim que aconteceu com a minha ideia de encontrar João Antonio. Fui em busca das informações e não demorou muito em saber que ele se encontrava também em São Paulo e que aos domingos montava uma banca de antiquário no vão do MASP, o famoso Museu de Arte de São Paulo.

O tempo foi passando e eu sentia mais distante a ideia de reencontrá-lo. Um certo domingo, eu e Telma, uma querida amiga, fomos à Avenida Paulista nos encontrarmos para um almoço. Bastou para ser a oportunidade tão esperada por mim de procurá-lo.

Circulando pelas bancas de artes em 
ziguezague, eu não conseguia achar nos rostos das pessoas a bonita fisionomia de João Antonio. "Claro, estaria mais velho, porém algum traço daquela beleza singular deveria existir", pensava eu. Pergunta aqui, explica ali, finalmente alguém indicou-me a banca onde ele expõe seus objetos de arte.

Senti meu coração batendo mais forte de emoção quando finalmente o encontramos.

- Olá, você é o João Antonio? - perguntei. Sou eu, a Clarisse.

- Clarisse ?  Que Clarisse ? - ele respondeu.

- A Clarisse, lembra de mim? De Ribeirão Preto. Estudamos na mesma classe no Colégio Julio de Mesquita, fazíamos trabalhos escolares juntos... - eu insisti.

- Ribeirão Preto ? Ah, sim, estudei no Colégio Julio de Mesquita por seis meses, mas isso foi há mil anos atrás - ele respondeu, gesticulando com as mãos para me dar a entender que Ribeirão Preto nada mais representasse a ele. E continuou:

-Morei muitos anos na Europa, e já não tenho mais nada a ver com Ribeirão Preto.

S
eu olhar desviava dos meus olhos e a cabeça pendia para um lado e para outro toda vez que eu lhe fazia uma pergunta. Sem esmorecer, tentando fazê-lo lembrar do nosso tempo, indaguei:

- João Antonio, lembra-se, vivenciamos um breve namoro em nossa adolescência!

Com a voz perfurante, ele me nocauteou: 

- Não me lembro de nada, não. Se foi bom pra você, pra mim não foi, porque não me lembro de você - disse, em tom ríspido.

A indelicadeza que ele me transmitiu com sua voz, o desprezo que havia em seus gestos, e especialmente o fato de não me olhar nos olhos me provocaram uma tristeza profunda, infinita. Ser tratada dessa maneira tão desprezível, tantos anos depois, foi um choque, sem sombra de dúvidas. Afinal, ele agora era uma pessoa completamente estranha - inclusive eu demorei a assimilar o seu rosto atual, comparando-o com o dos tempos de outrora. Eu buscava ao menos um detalhe que pudesse identificá-lo, mas qualEle já não tinha absolutamente nada daquela beleza de antes, muito menos, a amabilidade.

"Um asno", pensei com os meus botões.  Ele havia mudado tant
o! Talvez estivesse sofrendo de perda de memória, sim, poderia ser isso. Mas qualquer ponderação minha não mudaria a realidade: aquela cena foi ridícula.

Minha amiga Telma, na tentativa de esboçar algumas palavras em minha defesa, também foi golpeada com respostas rudes. Para mim, ali já bastava.

Olhando para o seu aspecto como o de uma pessoa relaxada, barba por fazer, envelhecido, atormentado por algo inexplicável, tentando colar um pedaço de dente quebrado na boca, senti aversão, repulsa e indignação pela frieza com que ele
 nos tratava. Tive que controlar meus impulsos nervosos para não ser áspera com aquele ser. 

Dei um adeus arrefecido, sem aperto de mãos. Contudo, o que mais doía dentro de mim era o fato de ele ter me esquecido. Que decepção pungente! 

Aos poucos, fui recuperando os sentidos e reconhecendo nesse momento que libertar-me daquele "sonho" era um ato de amor-próprio que eu exercia. E que ato! Ah, se todos cultivassem o amor-próprio como merecem...

Quando a pessoa não gosta de si mesma
, como vai gostar do outro? Ninguém pode dar o que não tem. Aos poucos fui percebendo, durante aquele encontro, que não era sobre mim que ele cuspia raiva, e sim, sobre ele próprio, revelando-se uma pessoa extremamente infeliz, pela vida que escolheu viver.

Sentirei saudades do meu passado feliz, e só!


yaradarin





7 de janeiro de 2019

Vazio







mergulho no rio das iaras
fontes e cachoeiras
limo das pedras - habito
sonhos interrompidos.

a vida não tem retorno
a fome é vergonhosa
o cansaço me prostra
nesse mundo abissal.


yaradarin

O Artesanato me Salvou da Pandemia

  O Artesanato me Salvou da Pandemia Um confronto com a realidade. Mal sabia que, depois de ter saído de um problema sério de saúde, eu enfr...