Descia pela alameda do parque, quando inesperadamente,
encontrei aquele que me faria sorrir, refletir, quase chorar.
Saltitando por todos os lados, nem sequer se assustou, quando o chamei.
Chegou numa alegria contagiante, misturado com um certo interesse e tanto.
Tão delicado, tão lindo, um esquilo!
Dei-lhe algumas sementes e com avidez as pegou.!!
Observava-o, enquanto o analisava deliciando seu banquete pomposo e majestoso.
Terminando a comilança, levantou sua cabecinha e unindo suas patinhas dianteiras, num gesto alegre me agradeceu.
Seus olhinhos brilhavam.
Comeria mais? pensei, enquanto buscava um banco para sentar-me.
Queria alí ficar, pegá-lo no colo, conversar baixinho, fazer-lhe um carinho.
Contar dos meus sonhos, enganos, desenganos,
da saudade que invade m'alma diariamente. Coração apertado querendo explodir de tanta dor!
_Não, acho que ele não queria mesmo ouvir meus lamentos.
Estava tão maravilhado, extasiado pelo que acabara de ganhar, serelepe se foi, sem ao menos dizer adeus.
Fez-me rir como criança! Encantou-me de tal modo que, pensativa fiquei.
Como será o seu viver neste parque?
Em que árvore se esconde quando a noite cai?
Galho de qual árvore faz sua morada? e quando a chuva desaba? O que faz, e, quando a neve bate em sua porta?
Onde se esconde? Que buraco se enfia?
Viveria só, ou com mais alguém?
Reflexões, que me fizeram pensar em nossas inocentes crianças de meu país, de meu mundo, do meu planeta!
Quantas injustiças, abandonos e maldades, quanta sede, quanta fome afligindo essas crianças, criancinhas e bebês.
Nossa realidade, tão cruel, inexorável.
Meu Deus, haverá neste Universo, paz e harmonia?
Cessarão todas as guerras cruéis, a miséria, o abuso sexual, a marginalidade neste mundo dos pequenos?
Com toda certeza, meu amigo esquilo estaria bem mais feliz no seu mundo .
Ele não imagina os meus inegáveis pensamentos, refleti.
O imenso parque com suas árvores frondosas, lagos em todas as direções, nutrem sua fome, mata sua sede; agasalha-o no inverno, aonde quer que ele esteja.
Tem a proteção natural da natureza e dos homens daqui. Bendito seja!
Não carece, não, eu me preocupar com isto.
Lamentável, sim, o destino das nossas crianças, nossas esperanças, nosso futuro tão escuro.
Chegada a hora de ir embora, levantei-me como me despedindo do parque quando ouvi um leve roçar de grama .
Era "ele", vindo em minha direção dar-me adeus!
Sorri, na certeza de que me espiava o tempo todo por detrás de alguma folhagem.
Fui embora sem olhar p'ra trás, sentindo-me, quase feliz!
by yaradarin

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