Luzes do Astral
Após duas horas rodando pela estrada que os levariam ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, um lugar místico que atrai constantes visitas espaciais, resolveram pernoitar num pequeno camping 'a beira da rodovia. A temperatura marcava 33.C.
Jorge e Nísia estavam exaustos. Um banho refrescante era tudo que eles precisavam.
O crepúsculo mergulhava por entre as árvores deixando a paisagem nostálgica.
Jorge montava a tenda onde dormiriam apenas uma noite, enquanto Nísia "farejava" o local que lhe parecia muito agradável. Caminhava por entre a vegetação rasteira onde só se ouvia o canto dos pássaros pousados em galhos secos. Buscava apreciar cada detalhe a sua volta respirando profundamente aquele aroma que exalava da relva.
Com o binóculo avistou ao longe uma linda cachoeira que imaginou ser " O Véu da Noiva" que fica entre os Cânions I e II. Como era lindo tudo aquilo e se deu por feliz por estar realizando seu antigo sonho. Não estavam muito longe, faltavam apenas 65 km para chegar ao destino, mas a ansiedade deixava-lhe apreensiva.
O local paradisíaco os convidavam a ter uma agradável noite de sono para então partirem cedinho da manhã seguinte 'a Chapada dos Veadeiros.
Jaime sentou-se num grande galho de árvore seca caído ao chão e convidou Nísia para sentar-se ao lado dele: - Venha cá amor, vamos olhar as estrelas. Há quanto tempo não temos um tempo para nós.
Nísia sentou-se ao lado de Jaime e ali ficaram observando as estrelas por horas e a cada descoberta de um ponto de luz era um espanto!
Nísia avistou ao longe uma pálida luz. Suspirou aliviada e segura sabendo haver mais pessoas no acampamento. Estava grata e feliz pelo momento precioso de estarem juntos e visitar o lugar que há anos vivia pedindo ao Jaime para conhecê-lo.
Nísia avistou ao longe uma pálida luz. Suspirou aliviada e segura sabendo haver mais pessoas no acampamento. Estava grata e feliz pelo momento precioso de estarem juntos e visitar o lugar que há anos vivia pedindo ao Jaime para conhecê-lo.
Nísia preparou um chá de hortelã e entregou-a cuidadosamente 'as mãos de Jaime. Fixou seus olhos nos olhos dele, achando-o pálido como uma cera.
- Preciso tomar algo quente, balbuciou Jaime. Sinto frio.
- Estranho, pensou Nísia, enquanto tomava o seu chá. O clima está ameno e com a chuva fina que caiu a brisa amenizava o início da noite.
Percebeu que as mãos de Jaime balançavam quase tombando a xícara.
- Cuidado, Jaime! Você está bem, indagou Nísia? Ora, não vai se queimar!
Repentinamente uma névoa sutil envolveu Jaime, deixando-o entorpecido. Nísia fitou os olhos de Jaime que já se distanciavam dela.
- Ora, ora, não sabia que você gostava tanto de dormir, exclamou! Sorrindo, Jaime vinha em sua direção e com suas mãos num gentil gesto tentou ajudá-la a levantar-se. Nísia ignorou.
Nísia suspeitou que algo em torno deles não estava bem. Deu alguns passos lentos ao redor da tenda e tudo lhe parecia normal. Imaginou ser o barulho das folhas que balançavam pelo vento.
Alguns vaga-lumes chegavam refletindo suas luzes.
Alguns vaga-lumes chegavam refletindo suas luzes.
- Jaime, exclamou Nísia, há quanto tempo não vejo um vaga-lume, olha que lindos!
As lembranças da infância tomaram conta da sua alegria ao ver os pirilampos naquele bailado.
- Sabe, pronunciou Nísia, quando éramos pequenos eu e meus irmãos, apostávamos quem conseguiria pegar mais vaga-lumes. Corríamos feito loucos pelas ruas de chão batido para apanhá-los com uma peneira e um a um íamos enchendo os potes de vidro. Era uma brincadeira inocente de criança. A alegria tomava conta de mim ao vê-los piscando dentro dos frascos. Chegávamos em casa e cada um exibia sua porção de pirilampos. Pobrezinhos, já cansados e sem ar, davam os últimos suspiros.
Jaime pousava o seu olhar muito além dos vaga-lumes. Seu rosto parecia sem cor, porém Nísia não quis interrompê-lo em seus pensamentos. Talvez estivesse se lembrando de sua infância também.
Jaime gritou assustado: - Nísia, olhe para aquela luz que vem do céu, apontando em direção a uma estranha luz. A claridade pulsava no infinito e percorria de um lado para outro com uma velocidade assustadora.
A luz os deixou imobilizados. Aquilo era real! Nísia sentiu seu corpo estremecer, dando o alerta; estavam em perigo.
Jaime pousava o seu olhar muito além dos vaga-lumes. Seu rosto parecia sem cor, porém Nísia não quis interrompê-lo em seus pensamentos. Talvez estivesse se lembrando de sua infância também.
Jaime gritou assustado: - Nísia, olhe para aquela luz que vem do céu, apontando em direção a uma estranha luz. A claridade pulsava no infinito e percorria de um lado para outro com uma velocidade assustadora.
A luz os deixou imobilizados. Aquilo era real! Nísia sentiu seu corpo estremecer, dando o alerta; estavam em perigo.
Repentinamente uma névoa sutil envolveu Jaime, deixando-o entorpecido. Nísia fitou os olhos de Jaime que já se distanciavam dela.
Desesperado, Jaime acenou com seus braços estendidos e suas mãos buscavam as de Nísia. Seus lábios balbuciavam palavras que ela não conseguia decifrar. Cada segundo que passava a névoa ia ficando mais densa. Dois seres pequenos os olhavam indiferentes, inexpressivos sem emitir algum som. Logo em seguida dispersaram-se por entre a névoa e Jaime desapareceu.
Uma luz azulada cobriu seus olhos deixando-a desnorteada. Mas conseguiu gritar e implorar 'aquelas criaturas que não levassem Jaime.
Uma luz azulada cobriu seus olhos deixando-a desnorteada. Mas conseguiu gritar e implorar 'aquelas criaturas que não levassem Jaime.
Clamou: - Nosso reencontro tem histórias lindas a serem vivenciadas, esperei por ele todos esses anos, incansavelmente. Seria alguém capaz de imaginar que a vida poderia ser tão divina em nos unir assim, novamente?
Quase sem sentidos, murmurou: - Por favor, ele é o meu...
Um fio de luz atravessava uma pequena fresta da tenda clareando seu rosto incomodando-a, fez Nísia acordar. Sentiu-se desnorteada. Buscou encontrar as mãos de Jorge apalpando o colchão tentando achar o corpo de Jaime para ter a certeza de que estava ao seu lado, mas não o encontrou. Sua cabeça latejava. Tentou se posicionar, mas não conseguiu, sequer se levantar. Sem noção do que havia acontecido na noite anterior, gritou:
- Jaime, Jaime, onde está você?
- Ora, ora, não sabia que você gostava tanto de dormir, exclamou! Sorrindo, Jaime vinha em sua direção e com suas mãos num gentil gesto tentou ajudá-la a levantar-se. Nísia ignorou.
- Querida, o carro já está com toda bagagem e pronto para partirmos. Finalmente em poucas horas estaremos na Chapada dos Guimarães. Vamos, vamos, levante-se.
- Querida, o que houve? Está tão pálida!
- Então! A vida nos espera, exclamou Jaime, abraçando-a enquanto abria a porta do carro para ele entrar.
- Querida, o que houve? Está tão pálida!
Subitamente levantou-se querendo entender o que estava acontecendo.
Notou que Jaime já estava barbeado, semblante tranquilo, dentro de sua calça jeans, camisa azul e a jaqueta que ele adorava. Realmente, ele era um ser encantador, pensou, fitando seus olhos.
Notou que Jaime já estava barbeado, semblante tranquilo, dentro de sua calça jeans, camisa azul e a jaqueta que ele adorava. Realmente, ele era um ser encantador, pensou, fitando seus olhos.
Com a voz embargada balbuciou: - Estamos no mesmo camping? Lembra-se do que aconteceu nesta noite, Jaime? buscando em seu semblante algo revelador.
Descartando suas perguntas, Jaime não entendendo nada do que ela dizia, deu de ombros e puxou-a pela cintura para junto de si. Envolveu-a em seus braços encarando-a com um sorriso sussurrou : - Está tudo bem, tudo bem, querida. - Repito, o que houve? Me parece um pouco estranha.
Nísia colocou as mãos em seu coração afirmando com a cabeça que estava tudo bem. - Sim, está tudo bem, querido! Vamos prosseguir nossa viagem, o dia está lindo e ainda temos muito chão pela frente.
- Então! A vida nos espera, exclamou Jaime, abraçando-a enquanto abria a porta do carro para ele entrar.
Nísia por um momento, voltou-se para percorrer seu olhar por toda a relva repleta de orvalho que ainda brilhava sob os primeiros raios de sol, na certeza de que nenhum sinal daquelas criaturas havia ficado para trás.
Sentia-se extenuada, a cabeça ainda rodava quando entrou no carro e partiram.
yaradarin

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