7 de janeiro de 2026

O Artesanato me Salvou da Pandemia

 O Artesanato me Salvou da Pandemia










Um confronto com a realidade. Mal sabia que, depois de ter saído de um problema sério de saúde, eu enfrentaria outro desafio. Maior, menor? Não sei! Não tinha a menor noção.

 

A realidade veio à tona com toda intensidade quando me dei conta da maior doença da atualidade chamada de -COVID-19.

O que esperávamos? Tive que ser mais forte ainda. E toda aquela situação nova representava o quê para o planeta!? Não fazia ideia do que estava acontecendo ao redor de mim. Não só eu estava atônita, como todo o planeta.

Curada do meu problema de saúde, fiquei por três meses isolada dentro da minha casa. Tudo me amedrontava e passei a ficar insegura. Então, comecei a pensar em algo para ocupar minha mente para os próximos meses que então até não sabíamos quando tudo isso terminaria, como ainda não terminou agora, um ano depois.

Já produzia meus crochês em tapetes mandalas, mandalinhas e japamalas em quantidade pouquíssima, apenas como distração. Resolvi investir e recomeçar os meus trabalhos artesanais para me ocupar com algo produtivo, e por que não, vendé-los? Não saberia imaginar o resultado que daria, mas isso não importava no momento, eu acreditava em mim e bastava eu ​​estar preocupado com meus trabalhos manuais para esquecer o grande mal que assolava o mundo lá fora. 

Primeira atitude, entrei em aulas de meditação online. Logo após, conheci o Ho'oponopono, e isso me impulsionou a confeccionar mais japamalas e tapetes mandalas. Sentindo-me mais entusiasmado, descobri com o tempo que o melhor estado da vida era ser tranquilo e equilibrado. Foram as meditações interiores e de Ho'oponopono que me trouxeram essa paz interior.

Abri um site chamado Kimaya Japamalas & Meditação, e também entrei com essa marca nas redes sociais, como Instagram e Facebook. O que me importava era divulgar os meus trabalhos que, aos poucos, são conhecidos.

Ainda estamos em plena fase pandêmica, com tantas perdas irreparáveis, as TVs bombeiam diariamente com notícias trágicas, mas verdadeiras, infelizmente. A realidade é cruel!

Não sabemos quando tudo isso irá terminar, mas de uma coisa tenho certeza, estar produzindo algo, seja o que for, me torne plenamente equilibrado interiormente e essa é a única forma de atravessar essa pandemia. Trabalho, meditação e oração!

No meio deste cenário, assim como disse o escritor e jornalista britânico Graham Greene no seu romance “Fim de Caso” , só temos duas opções: olhar para trás ou olhar para a frente. Se andarmos de mãos dadas com a experiência e a sabedoria, vamos seguir o caminho certo: o do interior. É quando devemos arrumar o labirinto de nossas emoções para encontrar o equilíbrio tão precioso.

E se você não gosta de fazer artesanato, que tal montar um cantinho espiritual em sua casa? Uma espécie de altar? Tenho certeza de que faria muito bem para você, como para sua família inteira.

yaradarin

07/04/2021


28 de setembro de 2022

Carta de Amor I

 Meu amor,


Escrevo na esperança de que um dia, e muito em breve nos veremos novamente.
O tempo passou, foram longos dias na minha vida, creio que na sua também, mas a esperança sempre reviveu em meu coração.

Tenho tido momentos sombrios e os pensamentos em você são o que me acalma, trazendo as lembranças do nosso último encontro, após tantos anos de separação.

Guardo dentro de mim as melhores recordações, apesar do incidente comigo. Isso só fortaleceu o amor que trago dentro de mim por você. Tenho muita saudade do nosso namoro, daquele amor de verdade que vivenciamos, porém, ficou tudo tão distante. Mas isso nada se perdeu com o tempo. Ainda respiro, vivo e você também.

Conhecê-lo foi a melhor coisa que me aconteceu, a melhor poesia que já fiz, a melhor canção já tocada, a mais linda cor do céu de meus dias.

Não vejo a hora de poder um dia te abraçar novamente. Ouço tantas notícias tristes sobre a Covid-19 e penso em você, arriscando sua vida em tantos lugares diferentes. Olhe, não tenho saído de casa a não ser para assuntos urgentes. Volto amedrontada, cheia de culpas, pensando que não deveria ter me arriscado. Que tempos de angustia estamos vivendo. Nunca imaginei tal situação para nossas vidas. Essa clausura me amedronta. É uma vida sem cor não poder te encontrar. A noite chega sempre devagarinho, me enlaçando, querendo acalmar minha alma. Aceito o alento e recolho-me no leito, onde meus sonhos clamam por você.

Meu amor, espero que você esteja se cuidando direitinho para que possamos nos abraçar muito, muito, assim que essa nuvem negra passar. Será um longo e forte abraço que vai se eternizar no tempo e transcender todo o espaço estelar. Sinta-se abraçado, meu amor, com toda a minha força e que os sonhos alimentem nossas almas, enquanto a paleta de cores da vida estejam pintando o nosso universo.

"Não há distância que separe um grande amor."

No momento é tudo. Me escreva, me conte que está com boa saúde e saudoso de mim.
Te beijo amorosamente. Seu amor para sempre.

Yara.

Carta de Amor II





Ciao amore



Buonanotte





Estava aqui sonhando, fazendo uns rabiscos, (quando estou proseando comigo mesma...) e fiquei relembrando algumas passagens da nossa época. Lembrando como evoluímos no decorrer de tão pouco tempo... Nosso reencontro me despertou para essas e outras lembranças ... 

'A época eu não poderia jamais dizer 'a minha mãe que eu estava de namoro com você, jamais, imagina! Ela surtaria....e me daria uma "senhora" surra, na certa, e além disso, o namorado, ameaçado. Quanta barbaridade, não é mesmo? Infelizmente, nós mulheres daquele tempo, fomos asfixiadas e abafadas em nossos desejos e prazeres por décadas... por mais inocentes que fossemos, até!

Hoje, tudo tão fácil, tão normal, coisas que fazem parte da curiosidade dos adolescentes, enfim..

Felizmente, fui evoluindo no decorrer do tempo; -sempre procurei ser uma mãe-avó avançada no tempo dos tempos modernos. Era essencial a evolução.

Sabe, cheguei até aqui, porque  me lembrei de um fato relevante entre nós dois. Certa vez, estávamos num baile, dançando nós dois amorosamente no Yara Club- na Av. Sampaio Vidal e, num determinado momento de ternura, você me puxou de encontro ao seu peito me apertando, (quase perdi o fôlego) você me disse baixinho:-  vamos fugir comigo!!!

-Eu sei que você se lembra, eu sei! 

Adolescente ingênua, medrosa, sem saber o que fazer, perdi o chão. Veio-me então naquela hora, todas as possibilidades de um maremoto familiar me atingindo certeiro na minha cabeça; esquivei-me, tive medo de não suportar tal avalanche familiar. Porém, eu nunca esqueci esse fato que me marcou profundamente. E pensar que te amava de verdade e eu sabia que seria para sempre, veja!!

Por muito tempo mergulhei em águas profundas, deixando meu barco oscilar como um berço por sobre as ondas. Sentia como se o mar quisesse adormecer toda tripulação, perdida no tempo mesmo sabendo que, um mar calmo, nunca fez de ninguém um bom marinheiro  e  sem reação, acabei perdendo você para sempre. (outros motivos houveram) mas não cabe aqui comentá-los agora).

Enfim, tudo isso pra dizer-lhe que relembrei desse fato assim que peguei o avião de volta pra casa; depois de ter tido um reencontro tão feliz com adoráveis momentos entre nós dois, 
- só por isso! Um dia nos reencontraremos novamente, até!

sua yara,

con affetto,

grande bacio per te 



É tão lindo enviar cartas amorosas para quem você gosta. É um jeito romântico e sábio de se declarar. Pena esse gesto tão bonito, tenha se perdido no tempo... 




26 de setembro de 2022

Luzes do astral



Luzes do Astral



Após duas horas rodando pela estrada que os levariam ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, um lugar místico que atrai constantes visitas espaciais, resolveram pernoitar num pequeno camping 'a beira da rodovia. A temperatura marcava 33.C. 
Jorge e Nísia estavam exaustos. Um banho refrescante era tudo que eles precisavam.

O crepúsculo  mergulhava por entre as árvores deixando a paisagem nostálgica. 

Jorge montava a tenda onde dormiriam apenas uma noite, enquanto  Nísia "farejava" o local que lhe parecia muito agradável. Caminhava por entre a vegetação rasteira onde só se ouvia o canto dos pássaros pousados em galhos secos. Buscava apreciar cada detalhe a sua volta respirando profundamente aquele aroma que exalava da relva. 

Com o binóculo avistou ao longe uma linda cachoeira que imaginou ser " O Véu da Noiva" que fica entre os Cânions I e II. Como era lindo tudo aquilo e se deu por feliz por estar realizando seu antigo sonho. Não estavam muito longe, faltavam apenas 65 km para chegar ao destino, mas a ansiedade deixava-lhe apreensiva.

O local paradisíaco os convidavam a ter uma agradável noite de sono para então partirem cedinho da manhã seguinte 'a Chapada dos Veadeiros. 

Jaime sentou-se num grande galho de árvore seca caído ao chão e convidou Nísia para sentar-se ao lado dele: - Venha cá amor, vamos olhar as estrelas. Há quanto tempo não temos um tempo para nós.

Nísia sentou-se ao lado de Jaime e ali ficaram observando as estrelas por horas e a cada descoberta de um ponto de luz era um espanto! 

Nísia avistou ao longe uma pálida luz. Suspirou aliviada e segura sabendo haver mais pessoas no acampamento. Estava grata e feliz pelo momento precioso de estarem juntos e visitar o lugar que há anos vivia pedindo ao Jaime para conhecê-lo.

-  Um chá de hortelã vai bem nessa hora, você  aceita, Jaime? indagou Nísia já  saindo para buscar a térmica de água quente. Jaime balançou a cabeça afirmativamente.

Nísia preparou um chá de hortelã e entregou-a cuidadosamente 'as mãos de Jaime. Fixou seus olhos nos olhos dele, achando-o pálido como uma cera.

-  Preciso tomar algo quente, balbuciou Jaime. Sinto frio.

-  Estranho, pensou Nísia, enquanto tomava o seu chá. O clima está  ameno e com a chuva fina que caiu a brisa amenizava o início da noite. 

Percebeu que as mãos de Jaime balançavam quase tombando a xícara.

-  Cuidado, Jaime! Você está bem, indagou Nísia? Ora, não vai se queimar!

Nísia suspeitou que algo em torno deles não estava bem. Deu alguns passos lentos ao redor da tenda e tudo lhe parecia normal. Imaginou ser o barulho das folhas que balançavam pelo vento.

Alguns vaga-lumes chegavam refletindo suas luzes. 

Jaime, exclamou Nísia, há quanto tempo não vejo um vaga-lume, olha que lindos! 

As lembranças da infância tomaram conta da sua alegria ao ver os pirilampos naquele bailado. 

-  Sabe, pronunciou Nísia, quando éramos pequenos eu e meus irmãos, apostávamos quem conseguiria pegar mais vaga-lumes. Corríamos feito loucos pelas ruas de chão batido para apanhá-los com uma peneira e um a um íamos enchendo os potes de vidro. Era uma brincadeira inocente de criança. A alegria tomava conta de mim ao vê-los piscando dentro dos frascos. Chegávamos em casa e cada um exibia sua porção de pirilampos. Pobrezinhos, já cansados e sem ar, davam os últimos suspiros. 

Jaime pousava o seu olhar muito além dos vaga-lumes. Seu rosto parecia sem cor, porém Nísia não quis interrompê-lo em seus pensamentos. Talvez estivesse se lembrando de sua infância também.

Jaime gritou assustado:  - Nísia, olhe para aquela luz que vem do céu, apontando em direção a uma estranha luz. A claridade pulsava no infinito e percorria de um lado para outro com uma velocidade assustadora.

A luz os deixou imobilizados. 
Aquilo era real! Nísia sentiu seu corpo estremecer, dando o alerta; estavam em perigo.

Repentinamente uma névoa sutil envolveu Jaime, deixando-o entorpecido. Nísia fitou os olhos de Jaime que já se distanciavam dela. 

Desesperado, Jaime acenou com seus braços estendidos e suas mãos buscavam as de Nísia. Seus lábios balbuciavam palavras que ela não conseguia decifrar. Cada segundo que passava a névoa ia ficando mais densa. Dois seres pequenos os olhavam indiferentes, inexpressivos sem emitir algum som. Logo em seguida dispersaram-se por entre a névoa e Jaime desapareceu.

Uma luz azulada cobriu seus olhos deixando-a desnorteada. Mas conseguiu gritar e implorar 'aquelas criaturas  que não levassem Jaime. 

Clamou: - Nosso reencontro tem histórias lindas a serem vivenciadas, esperei por ele todos esses anos, incansavelmente. Seria alguém capaz de imaginar que a vida poderia ser tão divina em nos unir assim, novamente? 

Quase sem sentidos, murmurou: - Por favor, ele é o meu... 

Um fio de luz atravessava uma pequena fresta da tenda clareando seu rosto incomodando-a, fez Nísia acordar. Sentiu-se desnorteada. Buscou encontrar as mãos de Jorge apalpando o colchão tentando achar o corpo de Jaime para ter a certeza de que estava ao seu lado, mas não o encontrou. Sua cabeça latejava. Tentou se posicionar, mas não conseguiu, sequer se levantar. Sem noção do que havia acontecido na noite anterior, gritou:

 - Jaime, Jaime, onde está você? 

-  Ora, ora, não sabia que você gostava tanto de dormir, exclamou! Sorrindo, Jaime vinha em sua direção e com suas mãos num gentil gesto tentou ajudá-la a levantar-se. Nísia ignorou.

-  Querida, o carro já está com toda bagagem e pronto para partirmos. Finalmente em poucas horas estaremos na Chapada dos Guimarães. Vamos, vamos, levante-se.

-   Querida, o que houve?  Está tão pálida! 

Subitamente levantou-se querendo entender o que estava acontecendo.
Notou que  Jaime já estava barbeado, semblante tranquilo, dentro de sua calça jeans, camisa azul e a jaqueta que ele adorava. Realmente, ele era um ser encantador, pensou, fitando seus olhos. 

Com a voz embargada balbuciou: - Estamos no mesmo camping? Lembra-se do que aconteceu nesta noite, Jaime? buscando em seu semblante algo revelador. 

Descartando suas perguntas, Jaime não entendendo nada do que ela dizia, deu de ombros e puxou-a pela cintura para junto de si. Envolveu-a em seus braços encarando-a com um sorriso sussurrou : -  Está tudo bem, tudo bem, querida. - Repito, o que houve? Me parece um pouco estranha.

Nísia colocou as mãos em seu coração afirmando com a cabeça que estava tudo bem.  - Sim, está tudo bem, querido! Vamos prosseguir nossa viagem, o dia está lindo e  ainda temos muito chão pela frente.

-  Então! A vida nos espera, exclamou Jaime, abraçando-a enquanto abria a porta do carro para ele entrar.

Nísia por um momento, voltou-se para percorrer seu olhar por toda a relva repleta de orvalho que ainda brilhava sob os primeiros raios de sol,  na certeza de que nenhum sinal daquelas criaturas havia ficado para trás.

Sentia-se extenuada, a cabeça ainda rodava quando entrou no carro e partiram.


yaradarin





19 de abril de 2021

Vai passar !

 



O momento é de incerteza. Os dias são tensos, há medo e notícias tristes ao redor do mundo e até bem perto de nós em função do vírus. Felizmente temos uns aos outros, vamos trocando informações esclarecidas e mensagens de esperança. Podemos romper as barreiras da distância e abraçar com afeto através das palavras.

Vamos nos unir para que juntos estejamos fortes, solidários e confiantes de que se fizermos nossa parte conscientes da responsabilidade que temos com os nossos e com o todo isso também vai passar.
O universo tem força, pede que nos voltemos para as coisas essenciais. Nos põem em oração, nos faz pausar e refletir.
As circunstâncias pedem um olhar mais cuidadoso e amoroso com nossos semelhantes e principalmente com os mais vulneráveis.

A ciência está lutando.

O mundo está tentando.

Vai passar!

25 de fevereiro de 2021

O que é o Japamala ?

 

O japamala é um cordão de contas utilizado nas práticas de meditação para contar mantras, desejos, intenções ou apenas orações de quem manuseia o objeto. Na religião católica, por exemplo, o objeto é semelhante aos terços.

A palavra “japa” significa rezar, sussurrar, enquanto que “mala” significa terço, cordão. Já em sânscrito, “mala” apresenta o significado de guirlanda. Apesar da variedade de formas de uso do japamala, ele é considerado um item sagrado para diferentes religiões.

Existe uma coleção de que o cordão é capaz de reunir as energias espirituais de quem o carrega. Sua origem baseia-se, sobretudo, na religião hinduísta e no budismo, que considera o japamala uma ferramenta eficiente para manter a mente focada e livre de pensamentos negativos.

São diversas técnicas de manuseio de um japamala, por exemplo, a pessoa pode fazer a contagem das pedras ao mesmo tempo que entoa um mantra. Ou ainda intercalar o japamala com uma meditação de respiração clássica, um método que ajuda a diminuir a taxa de respiração e concentração, promovendo maior relaxamento para a mente.



Mala com 108 contas em madeira Sândalo de 08mm. Meru em madeira e tassel de seda laranja neon.
# japamala108contas  #gratidao  #hoponopono  #hoponoponobrasil  #mantradodia  # oraçao

Visite o site:
www.kimayajapamalas.com.br

Meditar com Japamala

 


Escolhendo um mantra:

Na tradição yogue, um mantra é uma palavra sânscrita que tem poderes especiais para transformar a consciência, promover a cura ou realizar desejos. Um mantra é dado a você por um professor ou escolhido por você mesmo. Ao selecionar um mantra, seja claro sobre qual é a sua intenção e use sua intuição acima do seu intelecto. Você pode experimentar cada mantra por algumas repetições para ver como se sente e escolher o que mais lhe convém.
Com amor,
Namastê!


Mala com 108 contas naturais de labradorita e amazonita. Meru de mosaico e tassel bicolor .

 labradorita é considerada como a pedra mais potente no quesito de proteção contra energias negativas, pois ela cria um escudo através da aura, fortalecendo as energias desta a partir de dentro.
amazonita é uma pedra especial que atrai a boa sorte, fortalece a mente e purifica as energias. Ela também as radiações negativas de celulares e computadores e protege nossa Aura.

#comousarjapamala #japamala #mantra #oração #hoponopono
—Visite  em 
      www.kimayajapamalas.com.br

Kimaya Japamalas & Meditação

19 de janeiro de 2021

Desse cabra me orgulho


Ele veio lá  do interior das Alagoas.

Cabra  macho, sim senhor !

E era mesmo. Andava sempre com uma peixeira na cintura.

“Se mexer comigo leva”, dizia! Felizmente, nunca chegou a  precisar dessa violência, mas acho que matou muita cobra! Adorava pescar e andar pelos matos. Visitar fazendas de café e algodão da região era o seu passeio preferido. Fazia isso para  estar em contato com as pessoas mais humildes. 

Tinha seu  chapéu de couro, sim, sempre pendurado atrás da porta da sala, com aquele orgulho de todo bom nordestino.

Bernardo saiu da sua cidade natal em Viçosa, Alagoas para “tentar a sorte” no interior de São Paulo, montado numa carroceria de um caminhão, depois de viagem de navio até Santos. Foram longos e sofridos dias até São Paulo - Marília.

As notícias à época diziam  que  a cidade de Marília  prosperava em terras ricas de café e algodão.

E foi nesta cidade que Bernardo se instalou a convite do  irmão Odilon  que, impressionado com o progresso, mandou chamá-lo.

Tinha como ofício  sapateiro, não sabia fazer outra coisa. E assim começou sua vida por lá. Seu primeiro e único emprego  foi  numa sapataria.

Seu patrão, um homem bom e amável que o acolheu, deu-lhe emprego, alimentação e  moradia, que ficava nos fundos da  própria sapataria, até que Bernardo conseguisse arrumar um  lugar e levar sua vida sozinho.

O tempo foi generoso com Bernardo, que prosperava a cada dia  em seu trabalho. Passado algum  tempo, Bernardo conheceu uma mimosa menina de apenas 15 anos, chamada Julieta, filha de italianos. Paixão fulminante. Não demorou muito para se casarem.

Logo vieram os filhos. Bernardo, 'a época, bem sucedido econômicamente, comandava sua própria indústria de calçados já conhecida em toda a Alta Paulista. 


Tinha o dom da oratória. Sempre pronto na luta para ajudar os menos favorecidos, encaminhava para os abrigos os adultos e famílias que vindas de outras partes do Estado, não tinham para onde ir. Com todo essa dedicação, para entrar na política foi um pulo. 


Candidatou-se e ganhou seu primeiro mandato como vereador. Era eloquente e cada dia mais engajado na defesa dos mais necessitados. Essa era a  sua luta, a sua vida e a ela se dedicou de corpo e alma. Fez vários projetos beneficiando grande parte da população mariliense. Um salto para conquistar seu segundo mandato.

Comunista, Bernardo contava com o apoio do Presidente do Partido Comunista no Brasil Sr. Luiz Carlos Prestes e outros aliados como o escritor Jorge Amado, o médico de família Dr. Reynaldo Machado, Osório Alves de Castro- romancista e alfaiate e tantos outros companheiros e simpatizantes. Assim como, ganhou vários amigos, também ganhou  inimigos. Mas, nada disso impediu que Bernardo ganhasse nos idos de 1960 título como o “Melhor Vereador do Estado  de  São Paulo” em iniciativa  do jornal "Correio Paulistano". Um prêmio recebido com honras e aplausos pelas mãos do Presidente da Câmara e demais Vereadores. Bernardo, "O Vereador do Povo", assim o chamavam, homenageou os marilienses, dedicando 'a eles a conquista do prêmio. 


Sentindo sua ascendência política e a necessidade de intensificar melhorias 'a população de maior carência; - candidatou-se a prefeito. Mas o tempo já não mais favorecia seus ideais e Bernardo foi cassado pela ditadura em março de 1964. Adeus, almejado cargo de prefeito. "O primeiro homem cassado pela ditadura no Brasil", ele fazia questão de dizer.

Preso em primeiro de Abril de 1964, foi levado para São Paulo. Lá, em tortura psicológica, ficou incomunicável por vários meses no Presídio do Hipódromo. Para não morrer de frio ou pneumonia, no cárcere dormia de costas para os amigos. Lá dentro, arrumou "costas quentes" e, do carcereiro, ficou amigo. O algoz emprestava as chaves da cela para Bernardo e seus companheiros irem ao banheiro, tomar sol, café... 

Onde mais veremos um preso cuidando das celas e cadeados? Assim era Bernardo. E, se dessa maneira terminava sua carreira política, seus ideais não morreriam jamais. Muito menos o sonho de ver a democracia reinstalada no país - e por ela continuar lutando.

Morreu sentindo-se feliz, pois sabia que sua luta não havia sido inglória!

Bernardo será sempre lembrado pelo seu idealismo democrático, sua garra e luta férrea para conseguir dar ao povo menos favorecido a mesma condição sócio-econômica, quanto ao resto do país.

Julieta que amava Bernardo; Bernardo que amava Julieta e com ela viveu durante felizes 52 anos.

Seu corpo está sepultado em Marília, a cidade escolhida por ele que o acolheu como seu filho dando-lhe as maiores alegrias desse mundo.

Hoje, em Marília, existe uma linda e imensa praça arborizada que leva o seu nome:- 

"Praça Bernardo Severiano da Silva" ao lado do Clube dos Bancários, seu clube de coração, onde orgulhava-se de ter sido um dos pioneiros como sócio-remido.

Em Tempo: ainda moço aposentou a peixeira e passou a resolver tudo com uma boa conversa. Dizia: “Marília me civilizou".

Se eu tenho orgulho desse Homem cabra macho?

Tenho e muito!

Ele é meu eterno e inesquecível ídolo, ele é meu  pai!



                                        * Esse texto de minha autoria foi publicado no livro 
                                            Varal Antológico 4, da editora Varal do Brasil.
                                                              Genebra/ Suíça.

yaradarin


O Artesanato me Salvou da Pandemia

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